Abro os olhos, mas não vejo nada. O breu é varado por um ou outro par de asas. Despertei com esse farfalhar. Minhas unhas doem, mas não posso movê-las, ainda. A do mindinho não está muito bem presa. Sinto como se todo o sangue do meu corpo tivesse resolvido morar na minha cabeça. Está tudo lá. Tento abrir os braços, mas eles ainda estão colados de suor e da umidade das paredes. Resolvo pregar o olho de novo, até alguém decidir praticar seus rasantes bem perto do meu rosto. O sono vai ter que ficar para depois. Finalmente consigo abrir os braços e me espreguiçar não pode fazer mal. Eles vêm em minha direção e, também perdidos na atmosfera de piche, se esborracham no chão. Começo a movimentar meus braços, tento pegar algum equilíbrio. Solto as unhas de um pé. Ah, que alívio! Agora o outro. Quase caio, mas logo me endireito e deixo de ver tudo de cabeça para baixo. Sigo meu instinto para não esbarrar em ninguém. Já posso sentir o ar fresco, a saída deve estar próxima. Livre! A Lua vai alta. É hora de caçar.
Escrito por Ana às 15h50
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Olhos d´água é a minha fazenda, é pra onde vou quando penso. Tem cavalo de toda cor e tamanho, cada um com nome de um vento. Tem Minuano, Bonança e Furacão, mas eu gosto mesmo é de Ventania.
Escrito por Ana às 18h52
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Encerrado na porteira
Tem olhar bondoso de freira
Que a procissão conduz
Montado pelo homem
Seus pés de vento somem
Ao cabresto ele faz jus
Sem freio, nem barrigueira
É tempestade campineira
Energia que induz
Marca a terra molhada
Segue, estoura a boiada
Deixa rastro de alcaçuz
Crina ao vento, é raio
Mas não é alazão, nem baio
Anda ele, andaluz
Escrito por Ana às 16h28
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|