Olhos d´água


Minha primeira vez

 

            Até então, para mim lanche do McDonald´s era a salsicha com batatinha frita que minha mãe fazia de vez em quando. Nada de especial – e olha que a gente ainda tinha que pôr arroz e feijão no prato –, mas quando ela anunciava o cardápio daquela noite, eu mal conseguia prestar atenção na escola. É que naquela época, lanche era o que a gente comprava num trailer ou no bar da esquina. McDonald´s era coisa de comercial de televisão, que meus olhos famintos aguardavam pacientemente entre um bloco e outro da novela. Até que um dia finalmente aconteceu: papai disse que iríamos para São Paulo jantar no McDonald´s! São Paulo, uau! Ok, são só uns 20 km de casa, mas me senti como um verdadeiro bandeirante ao desbravar o caminho que me levava de Santo André até a morada dos arcos de ouro, na Avenida Paulista.

Quando entramos, nem acreditei: era tudo igualzinho à TV! A torre de dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial – não gosto de cebola, nem de picles –, num pão com gergelim era muito maior do que eu poderia imaginar, um verdadeiro sonho para alguém que, até aquele momento, tinha se contentado com o “Júnior Wilson”, uma miniatura de imitação de sanduíche vendida em uma lanchonete em São Caetano, que tinha como símbolo um “W” em vez do “M”. As McBatatas eram compridas, douradas, muito diferentes dos palitos mirradinhos que minha mãe fritava. Adorei o barulhinho que o gelo fazia no copão de refrigerante. Só fiquei decepcionada com a ausência de Ronald – estava de folga, disseram.

Voltamos para casa e, com o passar dos dias, percebi que algo havia acontecido: o lanche do McDonald´s da mamãe tinha perdido a graça! As salsichas, antes tão suculentas em seu banho de pimentões e especiarias, tinham se tornado bastões insossos. E as batatinhas, que já não eram grande coisa, agora viravam piada. Lamentei a perda de minha inocência para o fast-food. Foi quando minha mãe aprendeu a fazer estrogonofe.



Escrito por Ana às 15h11
[ ] [ envie esta mensagem ]

 
Olhos d´água é a minha fazenda, é pra onde vou quando penso. Tem cavalo de toda cor e tamanho, cada um com nome de um vento. Tem Minuano, Bonança e Furacão, mas eu gosto mesmo é de Ventania.



Dias na Fazenda

02/12/2007 a 08/12/2007
25/11/2007 a 01/12/2007
07/10/2007 a 13/10/2007
30/09/2007 a 06/10/2007
23/09/2007 a 29/09/2007
17/06/2007 a 23/06/2007
13/08/2006 a 19/08/2006
07/05/2006 a 13/05/2006
30/04/2006 a 06/05/2006
12/03/2006 a 18/03/2006
05/03/2006 a 11/03/2006
01/01/2006 a 07/01/2006
11/12/2005 a 17/12/2005
16/10/2005 a 22/10/2005
18/09/2005 a 24/09/2005
11/09/2005 a 17/09/2005
07/08/2005 a 13/08/2005
29/05/2005 a 04/06/2005
15/05/2005 a 21/05/2005
08/05/2005 a 14/05/2005
24/04/2005 a 30/04/2005
10/04/2005 a 16/04/2005
20/03/2005 a 26/03/2005
13/03/2005 a 19/03/2005
06/03/2005 a 12/03/2005
27/02/2005 a 05/03/2005
20/02/2005 a 26/02/2005
30/01/2005 a 05/02/2005
28/11/2004 a 04/12/2004
21/11/2004 a 27/11/2004
31/10/2004 a 06/11/2004
24/10/2004 a 30/10/2004
17/10/2004 a 23/10/2004
19/09/2004 a 25/09/2004
12/09/2004 a 18/09/2004
29/08/2004 a 04/09/2004
08/08/2004 a 14/08/2004
01/08/2004 a 07/08/2004
27/06/2004 a 03/07/2004
20/06/2004 a 26/06/2004
06/06/2004 a 12/06/2004
30/05/2004 a 05/06/2004
23/05/2004 a 29/05/2004
16/05/2004 a 22/05/2004
09/05/2004 a 15/05/2004
25/04/2004 a 01/05/2004
11/04/2004 a 17/04/2004
21/03/2004 a 27/03/2004
07/03/2004 a 13/03/2004
15/02/2004 a 21/02/2004




Abra a porteira para visitar também:
 Clube da Esquina Dois
 Olhos d'Água
 Frase e Efeito Estúdio Editorial
 Blog da Ritoca
 Chuva na Montanha, da Nilce
 Café com Prosa
 Thin Music
 Arte Vital, de Antônio Siqueira
 Retrato em Branco e Preto
 Silêncio Poesias, da Gisele
 Sex and the City, do Marcelo
 Pequenas coisas, infimidades e outras maiores
 Dobras da Leitura
 Baby in Manhattan, do Baby Luca
 Atire no dramaturgo
 Gato de máscara
 Casa Lygia Bojunga
 A Casa de Rubem Alves
 Gardenal
 Leitura invertida
 O Caracol do Ouvido