Minha primeira vez
Até então, para mim lanche do McDonald´s era a salsicha com batatinha frita que minha mãe fazia de vez em quando. Nada de especial – e olha que a gente ainda tinha que pôr arroz e feijão no prato –, mas quando ela anunciava o cardápio daquela noite, eu mal conseguia prestar atenção na escola. É que naquela época, lanche era o que a gente comprava num trailer ou no bar da esquina. McDonald´s era coisa de comercial de televisão, que meus olhos famintos aguardavam pacientemente entre um bloco e outro da novela. Até que um dia finalmente aconteceu: papai disse que iríamos para São Paulo jantar no McDonald´s! São Paulo, uau! Ok, são só uns 20 km de casa, mas me senti como um verdadeiro bandeirante ao desbravar o caminho que me levava de Santo André até a morada dos arcos de ouro, na Avenida Paulista.
Quando entramos, nem acreditei: era tudo igualzinho à TV! A torre de dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial – não gosto de cebola, nem de picles –, num pão com gergelim era muito maior do que eu poderia imaginar, um verdadeiro sonho para alguém que, até aquele momento, tinha se contentado com o “Júnior Wilson”, uma miniatura de imitação de sanduíche vendida em uma lanchonete em São Caetano, que tinha como símbolo um “W” em vez do “M”. As McBatatas eram compridas, douradas, muito diferentes dos palitos mirradinhos que minha mãe fritava. Adorei o barulhinho que o gelo fazia no copão de refrigerante. Só fiquei decepcionada com a ausência de Ronald – estava de folga, disseram.
Voltamos para casa e, com o passar dos dias, percebi que algo havia acontecido: o lanche do McDonald´s da mamãe tinha perdido a graça! As salsichas, antes tão suculentas em seu banho de pimentões e especiarias, tinham se tornado bastões insossos. E as batatinhas, que já não eram grande coisa, agora viravam piada. Lamentei a perda de minha inocência para o fast-food. Foi quando minha mãe aprendeu a fazer estrogonofe.
Escrito por Ana às 15h11
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