Notícias
O desenho de poucos centímetros quadrados não deixava nenhuma dúvida. Quem não conhecia aquela paisagem de palácios com torres bojudas de cores fortes poderia até pedir a ajuda de um microscópio, mas ela sabia que a carta era dele.
Sentada na cadeira de balanço com o encosto florido quase em fiapos, ela ajeita os óculos de aro grosso para tentar enxergar as pequenas pessoas presas para sempre naquela paisagem. Queira saber mais de suas histórias em terra tão distante, como que tentando se esquecer de que a grande história estava mesmo naquele envelope.
Não iria abri-lo, ainda não. Esperaria até depois do meio-dia, tal qual a sonolenta flor do maracujá de seu pomar, que só desperta ao sentir o sol reinar no ponto mais alto do céu, para o deleite das borboletas que invejavam seu perfume. Elas vinham aos montes, sonhando em, um dia talvez, viver com tanta delicadeza.
O sol já vai alto no céu. Chegara a hora tão esperada. As flores do maracujá se preparavam para desabrochar e ela abre o envelope com todo o cuidado. Dentro, uma revoada de borboletas. O filho estava com saudades de casa.