Palavra-chave
A chave não era pesada, nem feita de ouro, nem estava oculta em algum tesouro perdido. Somente algo tão comum e ordinário como é a palavra poderia libertá-lo de sua prisão de vidro.
O feitio dessa palavra pouco importava: poderia ser breve ou uma locomotiva de sílabas, ou de um tamanho qualquer. Também não exigia nenhum idioma específico, pois a liberdade rompe todas as barreiras semânticas. Poderia ser proferida no volume da ressaca na praia ou dos sussurros dos conventos, em tons agudos ou graves como o semblante das notícias ruins. Nada disso fazia diferença.
O silêncio persistia em tomar o lugar da palavra-chave porque ela era cara demais. Implicava o desafio de derrotar o orgulho e o medo, e se deixar levar na ventania da vontade. A palavra era um desejo. E o gênio continuava preso na garrafa.
Escrito por Ana às 15h53
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