O pedido
Era artrópode, mas o movimento lhe rendeu certo sacrifício. Finalmente conseguiu flexionar o terceiro e último par de pernas sobre a pedra. Tinha encontrado a página ao anoitecer; o crepúsculo era mais dado a milagres.
Ajoelhado, se pôs diante das poucas palavras que estavam a salvo do barro: assim na Terra como no céu. Era acalanto para seu fardo eterno, a carapaça rígida e sisuda que lhe pesava sobre os ombros. Ah, se pudesse ser fluido como o vento e provar a delícia de passar incólume por entre as flores!
Então, o besouro pediu a Deus que o transformasse em uma borboleta.
Escrito por Ana às 11h12
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